Sobre Ruído e Paisagem Sonora na sua Ausência:

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Em 2014, a Fundação Francisco Manuel dos Santos publicou o livro Sons e Silêncios da Paisagem Sonora Portuguesa, de Carlos Alberto Augusto. Aborda ecologia acústica e a questão da existência de uma sonoridade característica da paisagem portuguesa, urbana ou não. É uma leitura interessante e deliciosa para quem gosta da arte da escuta.

Por exemplo, aqui no centro de Lisboa onde habito, há uma coisa que adoro ao domingo: no meio do silêncio matinal, o repique dos sinos da igreja das Mercês a chamar para a missa. Terminado o ruído semanal e o barulho dos noctívagos da noite do Bairro Alto e de Santos, o domingo por aqui é silencioso e quase rural, com ou sem turistas. Isto é, a paisagem sonora vai mesmo mudando durante a semana. E vivendo eu em frente da Assembleia da República, fascina-me o som das manifestações: palavras de ordem, a música escolhida, instrumentos musicais ou não, enfim, todo um universo a explorar e sobre o qual uma vez escrevi um artigo que não chegou a ser publicado e que já está um pouco desactualizado.

A verdade, é que o ruído tem vindo cada vez mais a fazer parte do nosso quotidiano e recentemente, a propósito do confinamento, a equipa do Sounds of Tourism fez uma avaliação da situação. A ler aqui: https://visao.sapo.pt/atualidade/sociedade/2020-07-11-covid-19-a-que-soa-lisboa-sem-turistas/?fbclid=IwAR2nIXY_NDODPMNoKrijHeERDQZtvD32XsDU63_2VgOxt01E1GAyhAOSIUM

Curiosidades Sobre Aplicações de Ondas de Ultra-Sons

Ondas sonoras de ultra-sons podem condicionar as opções feitas por macacos. A ler aqui, mas cuidado com generalizações: https://www.iflscience.com/brain/scientists-control-brains-of-monkeys-using-ultrasonic-waves/?fbclid=IwAR2OGOXvRR4B_YdRuR3liMjZjI60h9yS6YSubdICQDWvbbH4r1ozhJmqRWM

Uma História Pessoal

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Há dezanove anos, estava eu grávida de quatro meses da minha filha, quando fiquei fechada na casa-de-banho de minha casa.

Eram quase 18h, tinha uma panela ao lume e, entrando na casa-de-banho para monitorizar o meu filho que estava na banheira, fechei a porta por causa do frio – estávamos no início de Abril. Quando tento sair, verifico que o eixo da maçaneta, parecido com o da imagem, tinha deslizado para o lado de fora e simplesmente não era possível abrir a porta.

Para piorar o cenário, o meu marido que normalmente chegaria por volta das 18.30h-19h, nesse dia tinha uma conferência e o horário de regresso era c. das 22h. No meio disso, tocou o telefone e eu, que até já tinha um telemóvel, tinha o meu na cozinha, portanto também não podia ligar a ninguém, tal como não podia receber nenhuma chamada. Fiquei bastante nervosa – grávida, fechada com outra criança, panela ao lume, marido a 4 horas de distância da chegada. Mas o meu filho naquela sabedoria da infância, olhou-me no meio do chapinhar e dos brinquedos como quem diz ‘és mãe, tu consegues resolver isso’.

Decidi pois, e até porque não tinha mesmo nada para fazer, observar a fechadura e explorar o que havia no armário da casa-de-banho. Os parafusos da fechadura, que eram vários de arranjos diversos, estavam um pouco frouxos e assim, dei por mim pacientemente a desaparafusá-los com a lima do corta-unhas que tinha no armário da casa-de-banho (e alguns deram luta). A grande benção foi que não tinha um mas dois corta-unhas à mão, porque foi preciso puxar o eixo da maçaneta e só o consegui fazer simulando uma espécie de fórceps com as duas limas dos dois corta-unhas.

Demorei quase uma hora nisto. Mas saí da casa-de-banho, desliguei a panela que já não tinha água e já estava preta no fundo, tirei o meu filho do banho (fui sempre acrescentando água quente) e verifiquei as chamadas para ver quem tinha ligado, qual McGyver doméstico. Depois sentei-me a saborear finalmente o enorme alívio que de facto senti.

Tudo isto para recordar que: temos competências que não sabemos que temos e também temos ferramentas que vão para além do que por norma fazemos com elas. Por isso, e porque podemos ficar fechados, literalmente ou em locais mentais ou situações para as quais não vislumbramos saída, pense que pode conseguir. Poderá precisar, ou não de ajuda. Se necessitar, não hesite em recorrer a ela. Veja as nossas ofertas aqui na Som Primordial, talvez alguma se adeque 🙂

 

 

Destralhe de Confinamento

O confinamento obrigou-me a trabalhar mesmo muito. Migrar para o teletrabalho de repente foi, digamos, intenso. Preparar material, dar aulas, pôr a família e os amigos a mexer-se em aulas de yoga via Zoom ou Meet, fora o que afinal também pode ser feito à distância em termos terapêuticos e organizacionais e que nunca tinha equacionado, foi toda uma curva de aprendizagem para usar um termo técnico.

No meio disso, meti mãos à obra na organização da minha casa. Sou uma pessoa organizada mas com quase 50 anos a acumulação é inevitável. Depois de roupa, passei para a parte mais aborrecida e difícil para mim que é a documentação: papelada como manuais de instruções de electrodomésticos que já ‘morreram’ e que foram para o lixo; digitalizei artigos e livros científicos que estavam em fotocópias e que agora até estão mais acessíveis numa pasta no computador podendo ter uma nova utilização; verifiquei que disponho de edições melhoradas de livros que já tinha e que por estarem em duplicado posso doar; manuais escolares que podem também ser doados a bibliotecas escolares; livros que não me interessam de todo mas que podem ser úteis a colegas ou amigos; maquetes que o meu filho já não quer e coisas que podem mesmo ir para o lixo têm sido uma constante nos últimos dias.

Francamente, estou surpreendida porque costumo fazer uma revisão de coisas pelo menos uma vez por ano, mas agora o ímpeto foi mesmo outro e fiquei espantada com o espaço que ganhei e com a quantidade de coisas que apesar de tudo tenho e de que não preciso ou que podem mesmo se úteis a outrém.

Isso obrigou-me ainda a redistribuir toda a documentação e os livros nas estantes, conquistando uma nova paisagem em casa sem ter mudado qualquer móvel, o que é uma experiência interessante e estimulante para o cérebro.

Experimente destralhar um pouco e verá que há sempre qualquer coisa que está a pesar na sua vida. E nós, do que precisamos, é de leveza.

Sugestões Para Dias de Isolamento Social

O meu pai foi capitão de uma companhia na Guiné durante a Guerra Colonial. A minha família teve sempre muitos militares, apesar de o meu pai ser miliciano e não militar de carreira. Sempre houve uma disciplina algo militar e histórias da guerra lá em casa, e nunca me esqueci de uma coisa: o meu pai, isolado com a sua companhia e rodeado de inimigos, nunca permitiu o abandalhamento da sua tropa. Os soldados tinham que estar limpos, arranjados, com as unhas cortadas. E eram mantidos ocupados com tarefas, umas rotineiras outras não. Era a forma de manter a auto-estima e a cabeça ocupada.

Assim, nestes momentos que vivemos e em que temos que estar em casa, não abandalhe:

1 – Tome banho e arranje-se para si, antes de mais, e para a sua família e comunidade, se o isolamento for acompanhado ou se tiver que trabalhar à distância.

2 – Trabalhe, se for o caso, preferencialmente à secretária ou numa mesa. Na cama ou no sofá pode ser bom mas também menos produtivo e assim define um espaço de trabalho claro. Defina também horários de trabalho e, se necessário, faça pausas a cada 20m’ ou meia-hora. Se não quiser definir horários, defina objectivos, ou horários com objectivos. No meu caso, tenho que corrigir testes e trabalhos, pelo que defino quantos vou corrigir hoje.

3 – Defina momentos de lazer no dia: ler, ver televisão, pltaformas de streaming, redes sociais, fazer um bolo, fazer yoga, meditar, jogar um jogo de tabuleiro com a família, enfim, o que para si puder ser considerado lazer.

4 – Limpe a casa e cozinhe. Podem ser actividades importantes para se manter ocupado e, se tiver crianças, envolva-as no processo, pois também é uma forma de as manter ocupadas fora de écrans, de as responsabilizar dentro de casa e também de as preparar para uma maior autonomia.

Manter rotinas é importante. Não deve ser algo obsessivo mas algo que nos vá ancorando. Ligue também com regularidade aos familiares e amigos, mantendo um contacto que é salutar para todos. E ria, sempre que possível, o humor faz milagres 🙂

 

 

Sobre o Silêncio

nature-benefits.jpg.860x0_q70_crop-scaleSobre o silêncio, esse bem tão necessário para ouvir bem, a natureza, a urbe, a história. A ler aqui: https://aeon.co/essays/why-we-need-an-absence-of-noise-to-hear-anything-important?fbclid=IwAR1DEB5KJBy2hYmxev_Z-78-50wyG1XJgv9yXl3Mj81k0UEs5cwpQq_2WzU

Quarta-feira de Cinzas

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Estive durante estes dias de Carnaval com obras em casa. Assim, hoje, Quarta-feira de Cinzas, é dia de limpeza e arrumações. Uma boa maneira de iniciar a Quaresma, tempo de recolhimento, reflexão, meditação. Fica-se sempre um bocado desanimado com o pó das obras, que se infiltra nos mais recônditos interstícios, no trabalhão que dá a lavar e aspirar e a arrumar o que teve necessariamente que ser tirado do sítio. Mas limpar é sempre simbólico de uma limpeza maior, que uma organização exterior e interior com o propósito de ter tudo aquilo que era premente ser reparado, já arranjado e pintado, e que já está mais luminoso para a Primavera que não tardará a chegar, para a renovação e renascimento inevitáveis do ciclo do fim do Inverno. Não tenho cinzas, mas pó, transmutação não da queima mas do reboque e da lixa, o qual foi necessário no processo e que agora urge eliminar. Uma excelente Quaresma para todos.

Silêncio e Repouso


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No aniversário dos 5 anos da Som Primordial, um artigo sobre a necessidade de descanso e silêncio a ler aqui: https://www.pensarcontemporaneo.com/silencio-e-repouso-duas-necessidades-da-mente/?fbclid=IwAR0UQVnG7oNbxuKf_K_dITlbwrbLkExcGnGBiD5miuqvI9jcP9oQG8QQY00

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Equilíbrio

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Há várias maneiras de encontrarmos equilíbrio numa vida mais ou menos agitada. Consulte os nossos separadores porque temos várias soluções que pode experimentar.