Curiosidades Sobre Aplicações de Ondas de Ultra-Sons

Ondas sonoras de ultra-sons podem condicionar as opções feitas por macacos. A ler aqui, mas cuidado com generalizações: https://www.iflscience.com/brain/scientists-control-brains-of-monkeys-using-ultrasonic-waves/?fbclid=IwAR2OGOXvRR4B_YdRuR3liMjZjI60h9yS6YSubdICQDWvbbH4r1ozhJmqRWM

Curiosidades

A realidade virtual é cada vez mais tangível e a possibilidade de criar objectos virtuais que sejam sentidos através de ultra-sons encontra-se descrita aqui: https://www.technologyreview.com/s/526651/using-ultrasound-to-feel-virtual-objects/

Honestamente, não percebo bem a utilidade de experienciar objectos não existentes senão como parte de uma curiosidade científica que demonstra as potencialidades do som e, por isso a partilho.

Pausas

Unknown

O blogue tem andado em pausa e por bons motivos: fui, durante a primeira semana de Abril a Itália com os meus alunos numa visita de estudo inesquecível para todos e comecei nos últimos dias as minhas aulas de yoga na SPRY das Amoreiras:  https://spry.pt/events/classes (inscrições). Tudo isto implica depois relatórios e outra burocracia que, aliada a aulas, terapias e ainda outras questões do foro familiar que é preciso gerir, torna a criação de conteúdos para o blogue mais apertada. No entanto, lá para Maio tudo deverá estar normalizado.

Entretanto, pode sempre consultar os nossos separadores e verificar que ofertas se adequam às suas necessidades. Dê um passo em direcção ao seu bem-estar.

Sobre a Necessidade de se Trabalhar o Som dos Espaços em que nos Movimentamos

The_Listening_Room

A propósito da conferência sobre o assunto no MAAT em Lisboa (https://www.resite.org/events/resonate-lisbon), ler o artigo do Público aqui: https://www.publico.pt/2018/02/12/culturaipsilon/entrevista/os-arquitectos-ainda-sao-pouco-sensiveis-a-trabalhar-o-som-1802794

Já uma vez abordei o assunto aqui:https://somprimordial.wordpress.com/2016/01/09/o-som-importa/

Na imagem, The Listening Room (1952), de René Magritte (1898-1967)

Curiosidades

Shure_mikrofon_55S

Como os microfones poderão ajudar a proteger a nossa privacidade: a ler aqui: https://curiosity.com/topics/sounds-that-mics-can-hear-and-humans-cant-could-protect-you-from-electronic-eavesdropping-curiosity?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=20171008fbk00Crstcrazymics&utm_term=00prod&utm_content=link182

Novas Utilizações do Som

Unknown

Uma excelente notícias: foram criadas luvas podem converter a linguagem gestual usada por surdos em sons perceptíveis por não surdos. Um passo na aproximação entre as pessoas. A ler aqui: http://blogs.discovermagazine.com/d-brief/2016/04/20/sign-language-gloves/#.V5XF7jeNKOM

Ligeti, Beethoven e o Cancro da Mama

Unknown

Têm circulado na internet várias notícias, vídeos e referências que afirmam que “foi descoberto que ouvir a Sinfonia n.º 5 de Beethoven (1770-1827) pode diminuir ou curar células cancerígenas da mama”. Como não partilho nada que não venha de fontes minimamente fidedignas, que geralmente não citam fontes ou citam mal, ainda não tinha tido tempo para explorar o assunto quando esbarrei num vídeo simplesmente hilariante que conta a história da senhoria que quer cobrar a renda ao compositor e, não conseguindo, bate insistentemente à porta (a ver o vídeo aqui : https://unicidade.org/2016/05/14/uinta-sinfonia-no-tratamento-de-cancer/) – dando a Beethoven a ideia do tema do 1º andamento da Sinfonia n.º 5 (1807-08), ao mesmo tempo que diz qual é a fonte exacta não dessa história mas da notícia da potencial cura. Quanto à outra, terei que a explorar um dia mais a fundo, porque nunca vi tal citado em lado nenhum em nenhuma fonte minimamente séria, mas como também nunca li tudo de Beethoven ou sobre Beethoven, deixo o benefício da dúvida para estudos futuros.

Mas é sempre fundamental ir ler as notícias a partir das fontes. Portanto, lá fui pesquisar e fui de facto parar ao Portal do Programa de Oncobiologia do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro, até porque fiquei curiosa com uma coisa que, para variar, ninguém esclareceu, nem a própria notícia do portal em causa: o que cura as células cancerígenas é a audição na íntegra de toda a sinfonia de Beethoven (quatro andamentos); apenas um ou dois andamentos ou apenas excertos, de um ou mais? A falta de clareza é um mau trabalho de comunicação entre a instituição e o público.

Enfim, ao ler-se a notícia, verifica-se que a experiência começou com Mozart (1756-1791) com cuja música não se obtiveram resultados nenhuns mas que, para além dos resultados com a Sinfonia n.º 5 de Beethoven, também se obtiveram resultados promissores no combate às células cancerígenas da mama com a peça  Atmosphères (1961), de um compositor húngaro chamado Gyorgy Ligeti (1923-2006) que trabalhou sobretudo durante a segunda metade do século XX. O texto da notícia pode ler-se aqui – http://www.oncobiologia.bioqmed.ufrj.br/noticias_onconews_detalhes.asp?id=417 e cito um excerto: “Beethoven é extremamente agradável de se ouvir, então não seria de forma alguma um problema para os pacientes portadores da doença. As composições de Ligeti, diferentemente, não são harmoniosas e causam uma maior tensão. Mas como ambas parecem agir apenas sobre as células cancerosas, estamos vibrando”, comemora a professora.” Também acho que seja de comemorar, porém duvido que ouvir Ligeti seja pior ou mais tenso que ir a uma sessão de quimioterapia ou radioterapia, mas enfim.

No entanto, discordo por completo da ideia de que Beethoven seja sempre extremamente agradável de ouvir. Apesar de gostar bastante, é raro pôr-me a ouvir Beethoven, que tem uma música que é muitas vezes intrinsecamente tensa a vários níveis e eu não estou, pelo menos actualmente, nesse registo. Para além disso, foi uma personagem complexa, de feitio difícil, com crises de violência física e verbal, e um homem muito doente (o quadro clínico das várias mazelas sugere uma intoxicação por chumbo, material muito usado na época em brinquedos, talheres e outros utensílios domésticos – vide RUSSEL, Martin, Os Cabelos de Beethoven. Lisboa, Temas e Debates: 2001). Estava frustrado com a sua surdez irreversível – foi ficando temeroso e paranóico à medida que esta aumentava -; foi azarado no amor (e nunca casou); e estava por vezes extremamente zangado com a vida, algo que se reflecte mesmo muito bem em várias das suas obras ou andamentos das mesmas que são frequentemente dramáticas, sofridas, melancólicas e até agressivas. Na verdade, muita da música de Beethoven, sobretudo aquela composta a partir de 1803, é complexa, difícil, rebuscada e até dura, uma verdadeira luta contra as adversidades, e contra a melodia fácil do simples entretenimento, procurando um novo estatuto do músico e da música que tivesse a atenção total do ouvinte e exigindo bastante dele e até dos próprios amadores e alunos para os quais compunha muito. Mas apesar de ser muitas vezes dolorosa, é uma música normalmente esperançosa num futuro melhor e brilhante ao qual chegamos muitas vezes no fim da obra, transformados após a viagem: a Sinfonia n.º 9 (1824) é o coroar desse conceito, quando recusa os sons dos andamentos anteriores para explodir na novidade do coro final.

Porém, Beethoven é tão conhecido que os títulos das notícias da potencial cura do cancro da mama se circunscreveram a ele deixando Ligeti de parte (não li todos, no entanto), um compositor só conhecido em certos meios e que tem coisas espantosas embora mais estranhas para o público em geral, mas cuja música faz, por exemplo, parte significativa da banda sonora do filme de Stanley Kubrick 2001, Odisseia no Espaço (1968). No entanto, o seu a seu dono. Não pode ignorar-se ou diminuir-se o autor de música que pode combater o cancro só porque Beethoven é mais famoso e mais agradável (se bem que provavelmente ele se rebelasse com a redução da sua música a “agradável”). Por isso, na foto, Gyorgy Ligeti, of course e, abaixo, a sua Atmosphères, numa interpretação de Claudio Abbado.