Sair da Zona de Conforto

Muito se fala em sair da nossa zona de conforto. Percebo a ideia, mas não sei se concordo muito com ela. É preciso, sim, sair de situações tóxicas e que não nos fazem bem, mas nem sempre podemos fazê-lo de um momento para o outro, pode ser necessário planear – mas se for grave, não hesite em chamar as autoridades competentes. Podemos sempre procurar melhores relações, trabalhos rendimentos, o que for.

Contudo, a ideia de que temos que sair sempre do que nos é familiar e de facto minimamente confortável é levar a coisa a um radicalismo nem sempre necessário ou saudável. Ora vamos ver: precisamos mesmo de ir dar um salto de pára-quedas para sair da zona de conforto e empurrar-nos para experiências radicais várias? Ou lutar pela vida, fazer uma boa alimentação com trabalho que não pára de chover por todos os lados, gerir uma situação de pandemia não é já radicalismo suficiente e algo que nos puxa constatemente para fora de algo que é, sim a nossa zona de segurnça, mais do que de conforto resignado?

Deixo a pergunta. Francamente, parece-me que estamos permanentemente a sair da zona de conforto com tudo o que nos acontece: perdas várias, salários precários e ginástica financeira, problemas de saúde, e por aí fora. Quer isto dizer que não devemos fazer coisas diferentes? Não, como é óbvio. Mas, se calhar, não temos que fazer nada radicalmente distinto e sim optar apenas por algumas pequenas coisas, pequenos detalhes e pequenos pormenores que nos façam sentir bem sem nos obrigar a violentar-nos ou a culpar-nos porque estamos mais ou menos no mesmo sítio. Às vezes, mesmo que queiramos, é muito difícil sair de onde estamos e o primeiro passo é garantir, nesse contexto, a maior qualidade de vida possível sem fantasias irrealistas ou grande pressões.

Assim: um passeio, uma massagem, uma aula de yoga, uma conversa pelo telefone ou pelo zoom com os amigos, arrumar a casa, ir ao cabeleireiro são pequenas coisas que nos alimentam a alma. Pense nisso.

Ganesha – Festival

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Hoje é o Chaturti de Ganesha, um importante festival hindu dedicado à celebração do aniversário desse deus que é reverenciado antes de todos os outros. Para mais informações sobre esta festa, ler aqui: https://indianexpress.com/article/lifestyle/life-style/ganesh-chaturthi-2020-date-puja-timings-significance-and-importance-6560205/ e abaixo um vídeo da fabulosa Vidita Kanniks com um cântico (bhajan) dedicado ao deus Ganesha.

Banhos de Som

Taças no banco do jardim

Um artigo interessante de divulgação a ler aqui: https://www.huffpost.com/entry/do-sound-baths-work-benefits_l_5e501917c5b629695f5a3779?fbclid=IwAR07Pzw95XldPHCvCBNYR64QD2ufFdIf4VfKcoBy25qwCdHWoNkc0js_OAA&guccounter=1&guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZmFjZWJvb2suY29tLw&guce_referrer_sig=AQAAAE0FRViVBedC_ot35P-aTkCNkUhANobYoW2eX2exhrXtnhptOycymwxP6jdxtL5Ntzi8765GJmWrrJdLIt3K1v1eTTUt02EO26i7qk37-CySI7LFL_oczyYboM5WqtS64OkgssQpxD1LoHCmNl-9Jri8Tr5wVJW-Jh-MDldKN0yf

Veja os nossos separadores para meditação, mantras, massagem e banhos de som e agenda uma experiência.

Sobre Ruído e Paisagem Sonora na sua Ausência:

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Em 2014, a Fundação Francisco Manuel dos Santos publicou o livro Sons e Silêncios da Paisagem Sonora Portuguesa, de Carlos Alberto Augusto. Aborda ecologia acústica e a questão da existência de uma sonoridade característica da paisagem portuguesa, urbana ou não. É uma leitura interessante e deliciosa para quem gosta da arte da escuta.

Por exemplo, aqui no centro de Lisboa onde habito, há uma coisa que adoro ao domingo: no meio do silêncio matinal, o repique dos sinos da igreja das Mercês a chamar para a missa. Terminado o ruído semanal e o barulho dos noctívagos da noite do Bairro Alto e de Santos, o domingo por aqui é silencioso e quase rural, com ou sem turistas. Isto é, a paisagem sonora vai mesmo mudando durante a semana. E vivendo eu em frente da Assembleia da República, fascina-me o som das manifestações: palavras de ordem, a música escolhida, instrumentos musicais ou não, enfim, todo um universo a explorar e sobre o qual uma vez escrevi um artigo que não chegou a ser publicado e que já está um pouco desactualizado.

A verdade, é que o ruído tem vindo cada vez mais a fazer parte do nosso quotidiano e recentemente, a propósito do confinamento, a equipa do Sounds of Tourism fez uma avaliação da situação. A ler aqui: https://visao.sapo.pt/atualidade/sociedade/2020-07-11-covid-19-a-que-soa-lisboa-sem-turistas/?fbclid=IwAR2nIXY_NDODPMNoKrijHeERDQZtvD32XsDU63_2VgOxt01E1GAyhAOSIUM

Curiosidades: arqueologia sonora do tracto vocal dos neandertais e de uma múmia egípcia.

A ler e ouvir aqui: https://www.iflscience.com/plants-and-animals/could-neanderthals-have-high-pitched-voices/?fbclid=IwAR3cpiwbeMlhAiMDVfiUwWtIKvLz-WTE0FR3euB2yNR90shqQMxwbxwVGSc

e aqui: https://www.theguardian.com/science/2020/jan/23/talk-like-an-egyptian-mummys-voice-heard-3000-years-after-death?fbclid=IwAR1rt6N9xZNVGBietXI-MT91QB0N0aoqr46UrVrOWr1qhTai-LCNmZEaI08

O Poder e a Necessidade do ‘Pensar Negativo’

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Há vários clichés no mundo do bem-estar e entre eles estão ‘pensar positivo’, ‘afastar-se de situações e pessoas negativas’, ‘vai correr/ficar tudo bem’ e, se não ficar tudo bem, provavelmente a culpa será do próprio que não quis ou não se esforçou o suficiente, omitindo ou esquecendo que entre os pontos A e B há um percurso e acções necessárias; um contexto que também tem que ser avaliado  assim colocando-se um peso excessivo, porque total, no indivíduo, que é visto como o único responsável pela sua situação, quando tal não é, de facto, assim.

Claro que não há mal nenhum no optimismo, mas quando estamos apenas optimistas em permanência, por norma isso significa que há uma dissonância cognitiva face à realidade, quer interna quer externa, porque se crê que não há questões de fundo, sociais, culturais, políticas ou económicas que têm um impacto directo na nossa vida e que o mundo será sempre cor-de-rosa para nós, basta querermos. Também, se estamos em modo negativo em permanência, indo para além da avaliação de problemas que poderão ocorrer para os corrigirmos, significa provavelmente que precisamos de ajuda porque já estamos no domínio da doença. E o processo de crescimento e desenvolvimento pessoal é um caminho importante para cada um, mas também nunca concluído e com altos e baixos que não poucas vezes necessita de  especialistas numa ou mesmo mais áreas.

O problema é quando os próprios especialistas caem na falácia do ‘vai correr/ficar tudo bem’, demonstrando simplismo, falta de senso comum e alheamento da realidade e da questão multifactorial inerente à vida. Com efeito, o ‘pensar negativo’ pode ser importantíssimo como se pode ler no artigo abaixo da plataforma ‘Mulheres à Obra’, visto que esse ‘pensar negativo’ ajuda muitas vezes a antecipar problemas ou cenários difíceis com os quais poderá ser necessário lidar e isso só pode ser bom, pois é diferente de um negativismo doentio ou patológico: https://www.mulheresaobra.pt/artigos/empreendedorismo/o-poder-de-pensar-negativo/?fbclid=IwAR0ZbBcei4xUE6h-AMsrkE1D2SZ5BrYRdcTI7jtCHdHkgVQxp1wy8NT4We4

Por outro lado, a solução, seja ela qual for, raras vezes é rápida ou automática – implica trabalho do próprio, interior e/ou exterior, que pode demorar semanas, meses ou mesmo anos. Isso é válido para os problemas pessoais, para as questões laborais, para os negócios que se pretendem implementar ou a recuperação de crises que nos saltam em cima e que não dependem de modo algum apenas de nós. Com efeito, apesar de ser precisa criatividade e resiliência em cenários de crise, como o que agora atravessamos no seguimento do confinamento, a verdade é que o contexto importa e muito. É diferente termos os recursos X ou Y ou não termos. É por isso que as pessoas pobres tendem a permanecer pobres e os ricos cada vez mais ricos, para usar uma imagem simples mas não simplista. Isto é, os pobres não saem da sua situação muitas vezes porque de facto não podem, não porque ser pobre seja uma opção desejável. E estamos a falar de milhões de pessoas.

Transportar isso para o meio da auto-ajuda e do bem-estar implica que os slogans apregoados são frequentemente feitos por pessoas que já estão numa posição de privilégio e que não estão de maneira alguma a lutar pela sobrevivência e portanto, do alto dessa posição privilegiada, podem ignorar mecanismos sistémicos complexos que nos rodeiam a favor de clichés que muitas vezes não surtem nenhum efeito para grande frustação de tanta, mas tanta gente. Ou seja, são pessoas para quem o ‘pensar positivo’ é também mais fácil por uma questão de contexto. Um excelente artigo sobre o assunto é este: https://humanparts.medium.com/the-personal-growth-world-needs-to-stop-ignoring-its-privilege-928530103560?fbclid=IwAR2Qz_hP-I1sd_CgCb2AX9xN1Pa3LVFnAL7uRddfB1YaUKkxmM5hf3HuEN8&gi=sd

Em resumo: o pensar negativo pode ser bastante saudável e frequentemente a indústria do bem-estar tem uma visão limitada e irrealista. Posto isto, aceite que o mar de rosas permanente não existe, seja realista e não derrotista e procure ajuda sempre que necessário.

Curiosidades Sobre Aplicações de Ondas de Ultra-Sons

Ondas sonoras de ultra-sons podem condicionar as opções feitas por macacos. A ler aqui, mas cuidado com generalizações: https://www.iflscience.com/brain/scientists-control-brains-of-monkeys-using-ultrasonic-waves/?fbclid=IwAR2OGOXvRR4B_YdRuR3liMjZjI60h9yS6YSubdICQDWvbbH4r1ozhJmqRWM

Bhagavad-Guitá

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Um excelente artigo da sempre maravilhosa Ancient History Enciclopedia a ler aqui: https://www.ancient.eu/Bhagavad_Gita/?fbclid=IwAR1BnFDwMuu6hfWYkz_ZIeIqAAEKsszv4QgLujzV8X8EYyn4fhXoxZSis4A

E porque nada substitui a leitura do texto, recomendo, em português, a edição da Assírio & Alvim na tradução de António Barahona deste livro basilar do Yoga, na imagem.

Curiosidades

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A voz é um bilhete de identidade, pois a voz de cada um é única e facilmente identificável. Mas nem sempre as vozes dos outros nos agradam. Conectar-se com a própria voz é balsâmico. A ler aqui: https://www.abc.es/bienestar/psicologia-sexo/psicologia/abci-algunas-personas-agrada-y-otras-molesta-202005260401_noticia.html?fbclid=IwAR33-ExdGYut_FdyZr-wpcZN1Ng5Axkd2e2MTw2R8J7xV11xOMdIwZv2s3Y&ref=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2F

Uma História Pessoal

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Há dezanove anos, estava eu grávida de quatro meses da minha filha, quando fiquei fechada na casa-de-banho de minha casa.

Eram quase 18h, tinha uma panela ao lume e, entrando na casa-de-banho para monitorizar o meu filho que estava na banheira, fechei a porta por causa do frio – estávamos no início de Abril. Quando tento sair, verifico que o eixo da maçaneta, parecido com o da imagem, tinha deslizado para o lado de fora e simplesmente não era possível abrir a porta.

Para piorar o cenário, o meu marido que normalmente chegaria por volta das 18.30h-19h, nesse dia tinha uma conferência e o horário de regresso era c. das 22h. No meio disso, tocou o telefone e eu, que até já tinha um telemóvel, tinha o meu na cozinha, portanto também não podia ligar a ninguém, tal como não podia receber nenhuma chamada. Fiquei bastante nervosa – grávida, fechada com outra criança, panela ao lume, marido a 4 horas de distância da chegada. Mas o meu filho naquela sabedoria da infância, olhou-me no meio do chapinhar e dos brinquedos como quem diz ‘és mãe, tu consegues resolver isso’.

Decidi pois, e até porque não tinha mesmo nada para fazer, observar a fechadura e explorar o que havia no armário da casa-de-banho. Os parafusos da fechadura, que eram vários de arranjos diversos, estavam um pouco frouxos e assim, dei por mim pacientemente a desaparafusá-los com a lima do corta-unhas que tinha no armário da casa-de-banho (e alguns deram luta). A grande benção foi que não tinha um mas dois corta-unhas à mão, porque foi preciso puxar o eixo da maçaneta e só o consegui fazer simulando uma espécie de fórceps com as duas limas dos dois corta-unhas.

Demorei quase uma hora nisto. Mas saí da casa-de-banho, desliguei a panela que já não tinha água e já estava preta no fundo, tirei o meu filho do banho (fui sempre acrescentando água quente) e verifiquei as chamadas para ver quem tinha ligado, qual McGyver doméstico. Depois sentei-me a saborear finalmente o enorme alívio que de facto senti.

Tudo isto para recordar que: temos competências que não sabemos que temos e também temos ferramentas que vão para além do que por norma fazemos com elas. Por isso, e porque podemos ficar fechados, literalmente ou em locais mentais ou situações para as quais não vislumbramos saída, pense que pode conseguir. Poderá precisar, ou não de ajuda. Se necessitar, não hesite em recorrer a ela. Veja as nossas ofertas aqui na Som Primordial, talvez alguma se adeque 🙂