Regresso ao Blogue

Durante os últimos dois anos, que acompanharam a doença e a morte do meu irmão bem como o meu AVC, no meio da pandemia e no seu rescaldo, revirei a minha casa toda. Várias razões me levaram a isso: uma foi manter-me ocupada com qualquer coisa que não me fizesse pensar muito nos tempos livres do trabalho e notícias apreensivas, outra foi mesmo optimizar o meu espaço e considerar as diferentes coisas que tinha.

Confesso que não sou uma minimalista e que me aborrecem os interiores cheios de vazio em branco/bege/tons pastel em barda. Um cliché despersonalizado que se tornou moda e eu francamente acho que as casas devem ter personalidade. Como pessoa que passa muito tempo em casa gosto que a minha esteja decorada e bastante colorida, mas sem estar atravancada nem cheia de coisas inúteis (sendo que em breve perorarei sobre a utilidade das coisas aparentemente inúteis que podemos acumular). Dito isto, e sendo eu uma pessoa bastante organizada por natureza, surpreendi-me a mim mesma com as voltas que dei e com aquilo de que me desfiz, mas fiquei muito feliz por ter mantido tudo o que mantive, que foi muito.

Ainda não acabei, porque estou em processo de digitalizar documentos de trabalho que quero manter mas que, existindo em fotocópias, ocupam espaço sem serem bonitos e não os consulto assim tanto para que valha a pena mantê-los fisicamente. No entanto, o trabalho já feito faz com que a minha casa seja (para mim) bonita, estimulante, aconchegante e

Neste processo, contagiei o meu filho, que é arquitecto, e juntos temos trabalhado bastante no conceito de casa funcional e personalizada. Assim, nos próximos tempos, vou fazer um relato do que fiz e desfiz, como organizei e como posso de facto ajudar pessoas a organizarem-se não apenas fisicamente mas também digitalmente, ao mesmo tempo que optimizam o seu bem estar através de yoga, meditação e massagens de som com as fabulosas taças Peter Hess – consulte os separadores para mais informação.

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Balanços

Não tenho escrito muito por aqui nos últimos anos, apesar de os meus serviços continuarem operativos e se poderem consultar na página ‘Agenda’.

Vários motivos levaram-me a ter que reformular e reequacionar várias coisas e funcionar de outra maneira. Um deles – e sem dúvida o mais determinante -, teve a ver com a saúde de familiares e, depois, a minha. A minha mãe adoeceu gravemente em 2018 mas felizmente recuperou; o meu único irmão adoeceu gravemente em finais de 2019 e partiu em Outubro passado deixando quatro filhos, um deles bastante novo, os dois progenitores vivos e funcionais e dois netos dos quais não pôde desfrutar muito. Ao meu filho foi diagnosticada uma questão chata mas com a qual se pode lidar. Entretanto, eu tive um AVC em Fevereiro de 2021 depois de ter acumulado trabalho que não achei que pudesse recusar e de ter lidado com uma sobrecarga laboral por causa da pandemia dado que a minha principal profissão é a docência.

A verdade é que não tem sido fácil gerir tudo isto, e muito menos continuar a produzir conteúdos aqui para o blogue com o mínimo de regularidade. E tem sido possível gerir tudo o que se passou nos últimos quatro anos graças a muita prática de yoga, meditação e som, sobretudo para comigo e com os meus. Por exemplo, recuperei em c. de 40m’ do AVC sem nunca ter perdido completamente a mobilidade do lado direito – muito provavelmente porque me obriguei a continuar activa (vesti-me sozinha enquanto esperava pela ambulância e ainda enviei um e-mail aos meus alunos a avisar que não dava aulas nesse dia) e parece que usar o cérebro de muitas maneiras e em actividades diversificadas e falar vários idiomas, como é o meu caso, pode ser determinante para que o cérebro encontre circuitos alternativos que permitam garantir a operacionalidade do sistema todo que é o nosso corpo.

Também tem sido possível graças a um trabalho de organização que também ofereço nos meus separadores, e reformulação do que é realmente importante, embora na verdade também esteja consciente de que isso é algo que vai mudando com a fase da vida.

Mas sei que os serviços que ofereço aqui são mesmo úteis em tempos de crise pessoal. A experiência de todo o trabalho emocional requerido pela situação familiar e o meu AVC levaram-me a concluir que, realmente cuidar de nós e dos nossos é fundamental, e cuidar dos outros também só é possível graças ao nosso equilíbrio.

Assim, consulte os separadores com as minhas ofertas e se achar que posso ajudar, contacte-me.

Curiosidades: o Som de uma Concha com 18.000 anos

O som e a música sempre estiveram presentes na história da humanidade. Poucos instrumentos musicais sobrevivem de períodos muito antigos, por isso poder ouvir um instrumento com 18.000 anos é uma emoção. Pode ler sobre esse instrumento e o trabalho de pesquisa e ouvi-lo aqui no link da Smithsonian Magazine: https://www.smithsonianmag.com/history/hear-what-18000-year-old-giant-conch-instrument-sounds-180976977/?fbclid=IwAR3ChlJT0Pieo0W65S3uWrRAibMCIEWvDenz86ia2FqTXRGipIGYtZWfAlw

Sons de Florestas

Numa altura em que estamos confinados e em menos contacto com a natureza, este projecto é um bálsamo: https://www.tree.fm/

Aqui podemos ouvir os sons de várias florestas do mundo, gravadas por várias pessoas diferentes.

Acima, fotografia de Johannes Plennio, um dos fotógrafos que tem incluídas imagens suas neste projecto (ver aqui: https://unsplash.com/@jplenio?utm_source=unsplash&utm_medium=referral&utm_content=creditCopyText )

Destralhamento

Antes de deitar fora o que quer que seja, verifique se há maneiras criativas de as aproveitar, sobretudo se forem interessantes e espólios familiares. Sei que o destralhamento está na moda, mas corremos o risto de começar a deitar fora com pouco critério à boleia de conceitos por vezes vagos como ‘peso na vida’ e de uma suposta inutilidade.

E, se as opções oferecer ou vender não encontram eco, a solução é frequentemente o lixo. Porém, se isso resolve o problema da nossa casa, não resolve o problema ambiental, antes o piora e penso que poucas vezes se pensa nisso no processo de destralhamento, como se o mundo não fosse também a nossa casa.

O serviço que ofereço é ajudar as pessoas a organizarem as suas casas e se, possível, sem deitarem fora compulsivamente, como por exemplo:

Organizar papéis e espólios familiares de forma criativa: tem menus, partituras, vinis, posters ou fotografias antigas? Se calhar pode pendurar como quadros e ficar com uma decoração muito personalizada em vez de ter uma casa de paredes nuas ou com uma decoração standard vinda da loja que será partilhada com mesmo muita gente.

Tem papéis da faculdade que já não fazem sentido estarem a ocupar prateleiras ou caixas mas que podem continuar ser úteis como material de consulta para o seu trabalho? Forneço serviços de digitalização e desmaterialização.

Tem livros repetidos? Ligue aos amigos que possam estar interessados e ofereça. Infelizmente, as bibliotecas estão cada vez menos a aceitar espólios ou livros antigos, mas tem ainda a hipótese dos alfarrabistas ou ofertas online.

Há naperons das tias em barda? Que tal usá-los como individuais de mesa ou fazer uma toalha original usando os serviços de alguém com jeito para a costura?

Há objectos avulsos, como camas antigas de bonecas? Há soluções para lhes dar um uso enquanto não voltamos a ter crianças para brincar com isso, por exemplo, como suporte de vasos de plantas.

Lembre-se: cada vez que deita fora alguma coisa, ela deixa de estar a seu cargo mas irá parar a algum lado e irá contribuir para a pegada de lixo deste mundo já tão cheio. Com isto não quero dizer que não deve deitar fora, se for necessário deite sem culpas. Mas avaliar bem o que se tem e como se pode reutilizar é uma solução através da qual os meus serviços podem ser-lhe úteis. Consulte os nosso separadores 🙂

Feliz Natal

Este foi um ano diferente a tantos níveis que é inútil elencar. No entanto, que esta festa do Natal que é também a do Inverno seja um momento de caminhada para luz e de nascimento de novas coisas e oportunidades no meio de tanta incerteza.

Na imagem que vos deixo, encontramos uma Natividade diferente, em que São José embala o menino enquanto Maria descansa do parto lendo um livro, que se pressupõe seja a Bíblia. Tal é simbólico de algo muito necessário, sempre e agora ainda mais: a entreajuda e apoio de todos e a todos no meio de algo que colectivamente nos afecta.

Assim, um Natal muito Feliz para todos são os votos da Som Primordial.

Iluminura/miniatura em têmpera e ouro de um Livro de Horas feito em Besançon, França, c. 1450. Fitzwilliams Ms 69 folio 48r, Fitzwilliam Museum da Natividade.

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